quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Crônicas de uma quinta qualquer.





Na década de noventa quando Adriana Calcanhotto lançou essa música o meu país passava por um dos momentos mais críticos pós- redemocratização da sociedade. Ela foi/é bastante significativa de uma realidade – naquele momento -, que vejo se repetir hoje. E mais uma vez com a mesma impotência. 

Naquele tempo de uma criança no interior de uma cidade nordestina, que nem sabia ao certo o que era “cores de Frida Kahlo”, mas que entendia perfeitamente o que se passava pelo “aperreio” da minha família.

Uma menina completamente inocente da realidade mais dura e cruel que assolava uma parcela significativa da população, e que em breve também nos faria de vitimas. Mas uma menina que tinha sonhos e que tinha esperanças.

Engraçado com a música tem essa capacidade de transportar as pessoas a tempos que pareciam esquecidos e nos fazem (re)viver momentos com a mesma intensidade de outrora.

E a pior ironia é ver os 13 anos de esperança construídos a duras penas desmoronando em poucas canetadas e um grupo de patifes com consentimento de alienados...

É..  Aquela menina cresceu. A música continua tocando... E essa mulher hoje sabe quem é Frida, Almadôvar... Continua sem entender a presa dos carros, das crianças.. Continua chorando ao telefone..  Continua “vendo doer a fome nos meninos que têm fome”.. E todos os dias se pergunta: “Eu ando pelo mundo e meus amigos, cadê? Minha alegria, meu cansaço? Meu amor cadê você? Eu acordei... Não tem ninguém ao lado”

(Ana Elizabete Moreira de Farias)

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